A
moto voava veloz por cima do asfalto, meus cabelos quase escapavam para fora do
capacete a quase 100 quilômetros por hora.. sentia toda aquela adrenalina e meu
corpo gritava por mais. Era só eu e aquela Harley- Davidson modelo 1950 e eu
naquele asfalto no alto daquela colina com vista para o mar, me separando
apenas pela aquela barra de proteção que parecia outra linha e quase me deixava
tonto. A barra ia se alongando...se alongando.. até quase ficar do tamanho da
pista e..
-
JOSH RYAN HUTCHERSON! LEVANTA JÁ DESSA CAMA,JÁ É QUASE MEIO DIA E VOCÊ PROMETEU
LEVAR SEU IRMÃO PARA O TREINO DE BASEBALL!!
Muito
atordoado,me virei pra ver quem tinha gritado comigo quando imaginava que
estava sozinho na pista,me deparei aos poucos com as paredes conhecidas do meu
quarto e comecei a acordar. Me levantei feito um zumbi e fui até o banheiro. Um
cara estranho me olhava do outro lado do espelho. Cabelos desgrenhados, olhos
cheios de olheiras e expressão surpresa. Foram só 5 cervejas, mas parecia que
eu tinha bebido o bar inteiro pelo meu estado.
Chegando
na cozinha já senti o cheiro das panquecas preparadas por minha mãe e já me
senti um pouco melhor, Connor já me esperava completamente pronto no seu
uniforme de baseball. Abri a geladeira e tirei uma garrafa de suco sob os
olhares reprovadores dos dois.
-
já não era sem tempo! Iria dormir até que horas,cara? Por acaso a gente não
tinha combinado? – disse Connor um pouco chateado
-Desculpa
cara, bebi aquelas cervejas e ainda fiquei jogando wii na casa de uns
amigos,tava muito cansado – murmurei tentando não me lembrar de todas aquelas
danças ridículas que eu devo ter feito.
Minha
mãe começou a servir as panquecas direto na travessa,enquanto procurava o pote
de mel e retirava os pratos do armário comentou que alguém havia me ligado.
-Era
um rapaz com um nome.. deixa eu ver.. serg.. Sérgio, acho que era esse. Disse
que estava tentando falar com você,mas o celular tava desligado. Deve ter
falado com seu agente, liga pra ele.
-vou
ligar no caminho do treino, agora eu tenho um compromisso com esse monstrengo
aqui,simbora! – falei agarrando as chaves do carro enquanto Connor colocava seu
equipamento dentro do porta malas.
Deixei
Connor lá com a rapaziada do baseball e fiquei brincando com um bastão e umas
bolas esquecidas num canto quando meu agente me ligou, saquei o celular e
atendi.
-Bom
dia Josh! – ele disse naquela voz animada que usava sempre que acontecia alguma
coisa muito boa. Estava precisando urgentemente falar com você! Eu sei que você
está em casa de férias, mas o lado brasileiro da nossa produtora insistiu tanto
em falar com você que eu não pude recusar,você sabe, negócios são negócios!
-Claro!
Claro! Ei,você disse brasileiro? Eles quase não entram em contato, o que
aconteceu? – perguntei meio cismado.
-
Um agente do outro lado da produtora quer que você dê uma olhada em um roteiro
que parece promissor, eu ainda não sei bem do que se trata, mas ele quer nos
encontrar para discutir a proposta, eu disse que daria essa chance a ele.
-
E quando é que ele quer nos ver?
-
Ele está na cidade e quer saber se pode almoçar conosco no restaurante de Blue
Springs amanhã para apresentar a proposta e o roteiro. E aí, vamos nessa? – ele
perguntou
-Claro,
te encontro que horas?
-
Meio dia e trinta, esteja no foyer do restaurante que vamos recebê-lo.
-
ok, obrigado Ryan
Eu
estava começando a sentir aquela sensação crescente de ansiedade que sempre
sentia quando embarcava em um novo projeto. Apesar de fazer pouco tempo que eu
estava de férias, dependendo do projeto eu embarcaria de olhos fechados, esse
era meu estilo.
Ao
meio dia eu estava na frente do restaurante esperando Ryan chegar. Ao me ver,
ele abriu um enorme sorriso. Ele era um irlandês careca e sorridente que
trabalhava comigo há um ano. Quem o conhecia nem imaginava que ele era aquele
ser brincalhão que no trabalho tinha que lidar com todas aquelas fãs mais
eufóricas era aquele ser sisudo e mal-encarado que barrava e limitava as fotos.
Se eu pudesse,tiraria foto com todas, mas aí eu seria capaz de passar umas
cinco horas á fio imóvel como uma estátua,só para que elas realizassem seu
sonho, mas ele sempre me lembrava dos milhares de compromissos que eu tinha que
fazer.
-
E aí Josh! Pensou que estava de férias e não ia me ver tão cedo heim? – disse
ele apertando a minha mão.
-
E aí cara, to curioso pra saber o que esse cara tá tramando, como é o nome dele
mesmo? – perguntei curioso
-
O nome dele é Sérgio Pontes, ele é brasileiro e tá representando a Columbia
trystar brasileira com parceria da Globo filmes. Ele já deveria ter chegado,
afinal, é ele que tá querendo te contratar, não é?
Dez
minutos depois, um cara bem alto, vestido com uma jaqueta de couro e uma
camiseta da seleção brasileira chegou apressado na sala do foyer se desculpando
com todos da equipe pela demora.
-
Me desculpe te ter feito esperar Josh! Você não sabe como é complicado me achar
nessa cidade, minha mulher veio às pressas comigo e meus filhos estão todos no
hotel, a produtora me mandou às pressas – disse ele com visível sotaque
apertando minha mão – me chamo Sérgio Pontes.
-
Muito Prazer! Ryan me falou sobre a sua proposta. Cara, to curioso pra saber o
que te trouxe de tão longe só pra vir falar aqui comigo.
-
Eu estou representando os roteiristas e o diretor Brasileiro Fernando Meirelles
para te propor fazer um filme no Brasil. Você sabe alguma coisa sobre o Brasil?
desculpa a pergunta.
-
Bem, conheço o futebol brasileiro, eu mesmo sou fã da seleção brasileira, dos
jogadores, sei que tem praias, mas fora a isso, devo te confessar que não
conheço muita coisa não - confessei.
-
Bem, vai ser perfeito! É uma grande oportunidade de termos um ator tão
talentoso como você e apresentarmos pra você tudo o que o nosso país
representa. Ele me entregou as páginas do roteiro e me entregou.
Corações do asfalto:
Um
roteiro de Kathyleen Turner
Direção
de Fernando Meilles
Em
1965, Harry Styles (Josh Hutcherson) um missionário voluntário da ONU viaja até
o Brasil para descobrir sobre o seu passado e suas origens. Em meio a viagem,
acaba encontrado a bela Justina, uma jovem enfermeira de espírito livre que
batalha pra continuar os estudos e viajar pelo país. O período de ditadura do
país acaba fazendo com que Harry descubra que seu pai é um poderoso militar que
sequestra Justina por confundi-la com uma revolucionária, e ele realiza uma
viagem ao redor dos quatro cantos do país para poder resgatá-la e se
autoconhecer.
Senti
uma pontada de empolgação. Não era qualquer roteiro não, o papel era
interessante e me oferecia uma grande oportunidade de embarcar no desconhecido.
Aquilo me fazia querer começar a trabalhar imediatamente, era como descobrir
que está vivo, liberdade.
-
E não é só isso não! – disse Sérgio visivelmente feliz com a minha reação
positiva. Só pra você ir sentindo o gostinho do filme, eu te trouxe uma
surpresa! Ele pegou a mochila e tirou um notebook – uma galerinha mandou um
recado pra você.
No
vídeo, reconheci famosos roteiristas comentando sobre o filme, um resgate de
época da história do Brasil, passado uma parte nos Eua, que além de ser um
filme histórico, era uma poderosa história de amor e descoberta. A próxima
pessoa do vídeo me fez parar. Fernando Meirelles, o grande diretor brasileiro
de Ensaio sobre a cegueira e Jardineiro Fiel em pessoa comentando sobre o
roteiro e o desejo de me ter no elenco do filme. Não o conhecia pessoalmente,
mas eu já havia assistido aqueles filmes e eu era fã declarado do seu trabalho.
As
próximas imagens mostravam um pouco das locações do filme, pude notar o quanto
o país era bonito, as pessoas eram receptivas e se mostravam em uma frequente
alegria contagiosa. Fiquei bestificado com as praias, as palmeiras, as casas,
os grandes mercados e a quantidade de gente nas cidades. Rio de janeiro, São
Paulo apareceram como eram nos anos 60, os casarões de grandes cidades do
nordeste e as manifestações culturais nas ruas.
Em
uma dessas festas de rua, pessoas tocando um ritmo que eu nunca havia escutado,
um ritmo contagiante, que me fazia batucar minhas pernas inquietas mesmo
naquela sala de restaurante, aquilo era diferente e tão atraente que não pude
descolar meus olhos da tela. Nisso eu vi uma garota usando uma longa saia
colorida girando em um ritmo frenético, me fazendo girar junto com ela. Eu
nunca vi uma garota tão linda, com seus cabelos pretos enormes voando ao redor
de suas costas. Ela fazia gestos leves com os braços parecendo alcançar voo
enquanto a multidão parava extasiada para olhar, seus olhos eram verdes e
atrevidos, completamente hipnotizantes. Eu não conseguia parar de olhar.
-Muito
bem Josh – disse Sérgio me assustando um pouco quando o vídeo terminou e eu
permanecia olhando para a tela. Você promete que vai pensar na nossa proposta?
-
Claro! Achei o roteiro maravilhoso! Estou encantado com o projeto, mas preciso
de uns dias pra pensar e conversar com Ryan para acertar minha agenda,pode ser?
-Excelente,
quero que você saiba que não lhe confiamos esse papel de propósito,sabemos do
seu talento! Eu entrarei em contato assim que puder!
-
Ótimo! Precisamos ir agora! Irei dar a minha resposta em breve – prometi
Saí
do restaurante junto com Ryan, dirigi de volta pra casa, mas no caminho aquela
cena continuava gravada na minha cabeça, aquela garota continuava a dançar
aquela música contagiante. Se eu embarcasse nessa viagem para o Brasil com esse
filme já seria uma sorte, mas se eu chegasse lá e encontrasse essa misteriosa
garota, eu sentia que seria meu destino.
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