Meu
tempo de encontros tranquilos com a Letícia havia se esgotado. Só me lembro de
ter sido levado para uma sala no andar térreo e receber as ordens de me arrumar
para a coletiva de imprensa sem deixar o hotel. Passei pela maquiagem e o
figurinista contratado que chefiava a equipe de caracterização do filme. As
horas se passavam e nada de surgir oportunidade para pelo ao menos mandar uma
sms pra ela, mas seria dar bandeira demais. Sem saber o que fazer com aquelas
horas de tédio, comecei a contar quantos quadradinhos havia no teto e sacudir
para o alto uma bolinha que alguém havia esquecido no canto da mesa.
Depois
de mais ou menos uns trinta minutos, alguém entrou na sala batendo a porta com
cara de poucos amigos. Uma garota ruiva que usava um chapéu e blazer azul
escuro, uns óculos de aro e pequenas botas pretas. Olhou brevemente pra mim e
se apresentou
-Me
chamo Katleen, faço parte da equipe – disse ela se sentando na mesinha que dava
pra varanda da sala que eu estava. Abriu a bolsa e começou a procurar alguma
coisa lá dentro, puxou uma carteira de cigarros
-Se
importa? Quando estou nervosa não consigo parar – me perguntou com um ar
cansado.
-Claro
que não, fique à vontade! Só não acho muito saudável, mas,você quem sabe!-
exclamei
Ela
sorriu e acendeu o cigarro, se afastou para a varanda pra fumaça do cigarro não
pegar em mim. Depois de alguns minutos em silêncio, então disse de repente
-Hoje
não é o meu dia..
Pensei
que não era uma boa hora pra importuná-la com algum assunto, mas minha vontade
de ajudar era maior
-Posso
ajudar em alguma coisa? – fui até a varanda onde ela estava encostada e fiquei
junto dela observando a maravilhosa vista para o mar do hotel. Barcos saiam ao
longe
-Não,
infelizmente o meu caso é complicado, eu sou uma grande imbecil – eu percebi a
amargura nas suas palavras.
-Bem,
dizem por aí que fazemos algumas burradas na vida, mas a maior delas é não
compartilhar os problemas... já ouvi falar muito de você.. não é você a famosa
roteirista desse filme? E também, não vai ser a minha professora de português?
Ela
sorriu um pouco e pareceu desmanchar a cara de tristeza
-Bem
que me avisaram que você era uma “gracinha” Sr. Josh Hutcherson – ela fez um
gesto de apertar minhas bochechas
-Também
não precisa me ofender – gracegei – fala sério, pode contar,eu gostaria de
ajudar. Tentei ser o mais atencioso possível, de alguma maneira, eu sentia por
ela.
Ela
olhou,pensou.. viu que não tinha jeito e acabou falando
-Olha,
se você contar pra alguém eu te mato! Ah,eu ainda vou me arrepender por isso –
suspirou. Acontece que eu.. bem, eu tive um envolvimento com Sam, o diretor de
fotografia do filme uns meses atrás,mas acontece que ele não me contou que ele
era noivo, e eu um belo dia chego no coquetel de uma coletiva de imprensa e
escuto da boca dos jornalistas que o casamento dele com uma nojentinha chamada
Hilda estava marcado.
-Woow,
por essa eu não esperava – foi o que eu pude dizer – eu sinto muito
Ela
sorriu tristemente me encarando, realmente era muito bonita com aquela
cabeleira ruiva rugindo atrás dela. Deveria ter uns vinte cinco anos, ou menos
-O
pior ainda está por vir – ela deu uma baforada no que restou do cigarro e o
afundou em um cinzeiro no parapeito da janela
-
Não vai me dizer que.. –finalmente a minha ficha caiu
-Sim,
o desgraçado foi escalado para esse filme, tudo culpa do nosso querido diretor
Fernando Meirelles, que só sabe trabalhar com ele. Sam convenientemente é um
dos melhores diretores de fotografia disponíveis e Fernando não o larga um
segundo. Vou ter que engolir meu orgulho e trabalhar com ele. Não consigo nem o
ver depois de tudo o que a gente passou..
Pelo
que eu tinha ouvido falar de Katleen ela era uma espécie de talento nato do
cinema, considerada uma das mais jovens roteiristas de sucesso, era respeitada
e todos a adimiravam. Eu imaginava alguém mais mimada, arrogante e muito
distante das pessoas. Mas o que eu via na minha frente era alguém verdadeira,
real e pé no chão. Fiquei impressionado como me identifiquei imediatamente com
ela, são as chamadas pessoas imãs, fáceis de aproximar, difíceis de separar.
A
mão de Katleen estava sobre a borda da varanda, então eu peguei na mão dela e
usei toda a minha capacidade de consolar as pessoas. Eu estava sem armas pra
consolá-la, o caso era tenso, mas de qualquer maneira tentei
-Katleen,
olha, sinto muito a gente ter se conhecido assim.. não sou a melhor pessoa do
mundo para dar conselhos, pelo menos é o que eu acho.. mas se eu fosse você
tentaria conviver com a situação mostrando que não aconteceu nada. Talvez ele
espere que você reaja de maneira diferente, que se importe, tenta surpreendê-lo
tá?
-
Vai ser difícil, mas o mínimo que eu posso fazer é tentar não é? Eu ainda mato
o Fernando, mas ele é um gênio e eu o amo também,fazer o quê..
-Então
senta aqui e me conta, como é trabalhar com o Fernando Meirelles?
Sentamos
na mesa da sala e conversamos,conversamos.. ela me contou o que fazia, quais os
planos para o filme. Falamos sobre filmes,cinema, música. Ela já havia virado a
minha melhor amiga no ato.
-Sabe,
eu nunca imaginei que você fosse tão sabe-tudo! – nós dois rimos
Mas
aí eu lembrei da Letícia, claro, não tinha esquecido dela o dia todo. Estava explodindo
de vontade pra contar. Quando resolvi que deveria me abrir com alguém sobre
isso, e era justo com a Katleen, já que ela tinha me contado sobre os seus
problemas amorosos, uma pessoa interrompeu o que eu estava falando ao entrar na
sala
-
Aqui é a sala onde eles... – o homem parou de falar e se deparou com Katleen
sentada no sofá – Katleen? Você?
Katleen
ficou branca que nem papel e senti ela gelar ao meu lado.
noooooooooooooossa amei
ResponderExcluirAdoro quando não tenho a mínima idéia do que vai acontecer no próximo cap.,por favor tenha piedade e posta o mais rápido possivel :)
Eu realmente amei,estou muito curiosa.
Ui! Como assim?
ResponderExcluirOk, acho que não tenho mais medo da Kat, virou BFF.. srsrs!!!
Mas esse fotografo aí, hein! Queisso?